Carpe Tudem. Simples assim. Como você aprendeu nas aulas de literatura, lembra!? Carpe Diem! O Tudem é licença poética... Dá pra encarar, né? O blog vem da vontade de dividir. De contar pra quem quiser ouvir. O autor vem de Barra do Piraí, interior do estado do Rio. Hoje, vive na capital. A inspiração vem do título do blog, do Carpe Tudem. O Carpe Tudem... Ah, companheiro, isso vem de berço. Aproveite você também!
Um desafio insuperável O amor eterno Aquele ano perfeito O carro dos sonhos Um sorriso O dinheiro necessário Um projeto de vida A relevância de tudo isso
...tomei um porre de saquê. ...morreu a minha maior referência. ...acabou um amor que foi tão procurado. ...o Ronaldo brilhou muito no Corinthians. ...amassaram o capô do meu carro. ...pintaram vários feriados. ...teve aquela que me iludiu com um sorriso. ...amigos brotaram aos montes. ...Paraty era só cachaça. ...não queria mais tirar férias. ...conheci aquela outra garota. ...tudo virou uma loucura.
E aí, não mais que de repente...
...vai acabar um ano que não deveria ter começado. Até que enfim.
Já não era mais manhã quando ela resolveu sair da cama. Havia acordado há horas, mas foi incapaz de encontrar um motivo qualquer para vencer sua preguiça. Era sábado, o dia perfeito para cometer esse tipo de pecado matinal – além de uma série de outros pecados noturnos, que os fins de semana também costumam permitir.
Foi direto para o banheiro. Sentada na privada, com os cotovelos debruçados nos joelhos, era a imagem da ressaca moral. Não queria pensar no que foi aquela sexta-feira, apesar de ter certeza de que nunca mais gostaria de revivê-la. Estava tudo tão silencioso que o barulho de sua urina batendo n'água parecia até uma trovoada. Ao dar-se conta, pela primeira vez no dia, ela sorriu.
Levantou para se olhar no espelho e perdeu um tempão por ali encarando. O resto de maquiagem da noite anterior borrava seus olhos, o que dava um aspecto soturno bizarro a um rosto lindo. Pegou o removedor na primeira gaveta e se pôs a limpar. Quem dera fosse capaz de retirar as lembranças com a mesma facilidade com que se livra do rímel, do blush e do pó. Batom, não tinha mais.
De cara limpa, deu asas à sua principal mania, começou a conversar consigo:
- Eu não sei o porquê você ainda me apronta dessas. Quer provar o quê pra quem?
Após uma longa pausa pensativa, deu de ombros:
- E quem melhor do que eu pra saber o que me faz feliz?
Prendeu o cabelo com um elástico que estava sobre a pia e vestiu a primeira roupa que encontrou. Estava em paz com a vida e queria ver a rua pulsando. Tudo bem que a rua nem "pulsa" tanto assim numa manhã de sábado... Certamente estaria mais animada que aquele quarto vazio.
E tudo pareceu muito óbvio! Por mais que o destino final ainda não estivesse claro, ela já tinha total certeza de que aquela era a hora de sair.
- Não sei... Me apaixonei. E a gente lá manda no coração?
- Cara, nós somos amigos. Acho que você está confundindo
tudo...
Fui pra casa. Impressionante como as coisas parecem não te
pertencer quando você leva um fora. Perder o chão dá a nítida impressão de que
você não é de lugar nenhum. Mesmo os ambientes com os quais estamos
completamente familiarizados se tornam estranhos. E foi assim que me senti, sozinho,
na sala de casa.
Me recostei no sofá como se nunca tivesse estado ali. Repassei
minha história com Marina... O dia em que fomos apresentados, o primeiro
telefonema, as inúmeras gargalhadas, as intimidades divididas. Coisas de amigo.
Por que então fui me apaixonar?
Engraçado como coisas óbvias se tornam inexplicáveis quando
você não quer aceitar suas verdades. Me apaixonei porque ela parece ser feita
sob medida. A gente se completa em todos os aspectos e isso fica óbvio pra todo
mundo. Até pra ela.
- Marina, a gente se dá tão bem.
- Exatamente. Entre nós não há curto-circuito, né? A gente
se conhece há pouco tempo, mas se entende até numa troca de olhar.
- Então! A gente foi feito pra ficar junto!
- De forma alguma, Hugo. (Risos) Eu nunca tive isso com
homem algum e fui capaz de estragar tudo o que tive com todos os homens que
passaram pela minha vida. Se não por culpa minha, por culpa deles. Você entende
se eu disser que não quero te perder e que é justamente por isso que não vou
tê-lo? A gente é amigo! E é assim que é pra ser.
“E é assim que é pra ser”... “A gente é amigo”... As
palavras ficaram ecoando. No fundo, eu agradecia. Eu também sabia que o fim de
um relacionamento poderia ser capaz de me afastar pra sempre da Marina. E eu já
não vejo a minha vida sem ela.
O problema é que eu só agradeço lá no fundo. E tão lá no
fundo, que esse “não” dela, aqui no raso, me faz um mal danado.
Guarde pra você a promessa de “pra sempre” que tirei do seu olhar. Que se minhas certezas lhe são hipóteses, não há nada que eu possa fazer pra de uma vez só te conquistar. Somos diferentes, não só nas crenças e atitudes, mas em nossa essência. E aí é mesmo difícil conciliar.
Tens todo o direito de ser fria a ponto de não acreditar naquilo que se convencionou chamar “amor”. Essa filosofia de só fazer o que quer pode mesmo fazê-la muito feliz. Não serve pra mim. A filosofia. Não serve. Você, pelo visto, tampouco.
Acredito em almas-gêmeas, amor à primeira vista e família Claybom. E seguirei a minha busca, ainda que o caminho seja árduo, pois o acaso e o destino se unirão pra me ajudar. Não há Verão que seja eterno e isso eu bem sei. E também aprendi que, seja qual for a estação, há sempre tempo de ser feliz.
Eu sei que vou encontrar aquele alguém... E aí não vai ser apenas o olhar, o jeito ou o sorriso que vai sinalizar. O primeiro passo é esse mesmo: esquecer você! É isso que eu preciso, que é o certo, que é melhor e que me fará muito bem.
Conheço vários e diferentes casais Daqueles que se amam àqueles que não se aturam mais Enquanto uns brigam, outros vivem como iguais E todos têm suas histórias... Sejam lindas, sejam banais.
O casal mais lindo nem sempre está junto há um tempão Bom mesmo é o que vive cada momento como se fosse único Um homem e uma mulher que, inebriados pela paixão, Sejam capazes de curtir seu dia juntos como se fosse mesmo o último
Eles iam vadios pelas ruas e resolveram tirar uma foto oficial Que fizeram questão de dar aos amigos, fazê-los jamais esquecer Momentos assim não precisam necessariamente ter um final Momentos assim a gente devia levar juntos até morrer
Apaixonados ao longo dum sábado que não precisava acabar Eles davam risada até de quem não tinha graça Entre copos de pinga, ruas de pedras e histórias pra contar Amanheceram a dançar a dança deles no meio da praça
De olhos nos olhos, misturavam pitadas de paixão e saudade E se divertiam como loucos, numa festa à dois e à parte Mistura boa, receita que dá liga com tesão e vontade Não foi à toa que chegaram ao nosso ponto de encontro tão tarde...
Se é pra sempre ou se já acabou, só o destino dirá Foi um fim de semana em que todos éramos casais, mesmo em nossa solidão E aí eu fiz essas rimas só pra poder me lembrar Porque havia muito tempo que eu não via algo como Nat e Digão.
Chega aí, mas chega agora!
Venha pra ler um texto repleto de tiradas ruins, com um vinho barato e seu novo sorriso.
Conte meia-dúzia de piadas. Mesmo que eu já conheça, prometo rir...
Traga uma novidade qualquer, capaz de me fazer feliz por um segundo. Isso já basta.
Me tira um pouco dessa vida, vai. Que do jeito que tá, eu já não aguento mais!