Carpe Tudem. Simples assim. Como você aprendeu nas aulas de literatura, lembra!? Carpe Diem! O Tudem é licença poética... Dá pra encarar, né? O blog vem da vontade de dividir. De contar pra quem quiser ouvir. O autor vem de Barra do Piraí, interior do estado do Rio. Hoje, vive na capital. A inspiração vem do título do blog, do Carpe Tudem. O Carpe Tudem... Ah, companheiro, isso vem de berço. Aproveite você também!
De tudo que poderíamos ter sido, Fomos somente nós - desses que ninguém desata. Mas, deixe que tentem. Que quando o tempo insistir em passar, E a maré puder baixar, A felicidade vai querer voltar a sorrir Pra nós. Apertados. Emaranhados. Entrelaçados. Atados, eu e você. Como nós - E somente nós - Sabíamos ser.
Entro no blog, mais às traças do que nunca, e juro que tenho vontade de retomar. Em termos de literatura, acho que a vida me tornou passivo. E foi aos poucos.
Primeiro, tirou meu tempo de criar. Passar quase a metade do dia num escritório atolado em responsabilidades e afazeres complica.
Depois, podou um dos sonhos: o de ganhar a vida escrevendo. Houve uma prova para tal, fiz o meu melhor no teste e, na avaliação dos avaliadores, não foi suficiente. O tamanho da inércia que pode ser deflagrada por quem se frustra, só sabe quem já se frustrou.
Ainda assim, sinto aquela semente de escritor. Tenho meus lampejos! E passarei a tomar nota das inspirações que, por vezes, mesmo que rápidas demais, passam pela minha cabeça. Colocá-las no papel é o primeiro passo...
Para escrever, fazem-se necessários, criatividade, tempo, inspiração, conhecimento, vontade, disciplina e uma série de outros fatores. Entre eles, uma rotina: a rotina da escrita. Que, como todas as outras, começam logo cedo.
Um desafio insuperável O amor eterno Aquele ano perfeito O carro dos sonhos Um sorriso O dinheiro necessário Um projeto de vida A relevância de tudo isso
...tomei um porre de saquê. ...morreu a minha maior referência. ...acabou um amor que foi tão procurado. ...o Ronaldo brilhou muito no Corinthians. ...amassaram o capô do meu carro. ...pintaram vários feriados. ...teve aquela que me iludiu com um sorriso. ...amigos brotaram aos montes. ...Paraty era só cachaça. ...não queria mais tirar férias. ...conheci aquela outra garota. ...tudo virou uma loucura.
E aí, não mais que de repente...
...vai acabar um ano que não deveria ter começado. Até que enfim.
Já não era mais manhã quando ela resolveu sair da cama. Havia acordado há horas, mas foi incapaz de encontrar um motivo qualquer para vencer sua preguiça. Era sábado, o dia perfeito para cometer esse tipo de pecado matinal – além de uma série de outros pecados noturnos, que os fins de semana também costumam permitir.
Foi direto para o banheiro. Sentada na privada, com os cotovelos debruçados nos joelhos, era a imagem da ressaca moral. Não queria pensar no que foi aquela sexta-feira, apesar de ter certeza de que nunca mais gostaria de revivê-la. Estava tudo tão silencioso que o barulho de sua urina batendo n'água parecia até uma trovoada. Ao dar-se conta, pela primeira vez no dia, ela sorriu.
Levantou para se olhar no espelho e perdeu um tempão por ali encarando. O resto de maquiagem da noite anterior borrava seus olhos, o que dava um aspecto soturno bizarro a um rosto lindo. Pegou o removedor na primeira gaveta e se pôs a limpar. Quem dera fosse capaz de retirar as lembranças com a mesma facilidade com que se livra do rímel, do blush e do pó. Batom, não tinha mais.
De cara limpa, deu asas à sua principal mania, começou a conversar consigo:
- Eu não sei o porquê você ainda me apronta dessas. Quer provar o quê pra quem?
Após uma longa pausa pensativa, deu de ombros:
- E quem melhor do que eu pra saber o que me faz feliz?
Prendeu o cabelo com um elástico que estava sobre a pia e vestiu a primeira roupa que encontrou. Estava em paz com a vida e queria ver a rua pulsando. Tudo bem que a rua nem "pulsa" tanto assim numa manhã de sábado... Certamente estaria mais animada que aquele quarto vazio.
E tudo pareceu muito óbvio! Por mais que o destino final ainda não estivesse claro, ela já tinha total certeza de que aquela era a hora de sair.
- Não sei... Me apaixonei. E a gente lá manda no coração?
- Cara, nós somos amigos. Acho que você está confundindo tudo...
Fui pra casa. Impressionante como as coisas parecem não te pertencer quando você leva um fora. Perder o chão dá a nítida impressão de que você não é de lugar nenhum. Mesmo os ambientes com os quais estamos completamente familiarizados se tornam estranhos. E foi assim que me senti, sozinho, na sala de casa.
Me recostei no sofá como se nunca tivesse estado ali. Repassei minha história com Marina... O dia em que fomos apresentados, o primeiro telefonema, as inúmeras gargalhadas, as intimidades divididas. Coisas de amigo. Por que então fui me apaixonar?
Engraçado como coisas óbvias se tornam inexplicáveis quando você não quer aceitar suas verdades. Me apaixonei porque ela parece ser feita sob medida. A gente se completa em todos os aspectos e isso fica óbvio pra todo mundo. Até pra ela.
- Marina, a gente se dá tão bem.
- Exatamente. Entre nós não há curto-circuito, né? A gente se conhece há pouco tempo, mas se entende até numa troca de olhar.
- Então! A gente foi feito pra ficar junto!
- De forma alguma, Hugo. (Risos) Eu nunca tive isso com homem algum e fui capaz de estragar tudo o que tive com todos os homens que passaram pela minha vida. Se não por culpa minha, por culpa deles. Você entende se eu disser que não quero te perder e que é justamente por isso que não vou tê-lo? A gente é amigo! E é assim que é pra ser.
"E é assim que é pra ser"... "A gente é amigo"... As palavras ficaram ecoando. No fundo, eu agradecia. Eu também sabia que o fim de um relacionamento poderia ser capaz de me afastar pra sempre da Marina. E eu já não vejo a minha vida sem ela.
O problema é que eu só agradeço lá no fundo. E tão lá no fundo, que esse "não" dela, aqui no raso, me faz um mal danado.
Guarde pra você a promessa de “pra sempre” que tirei do seu olhar. Que se minhas certezas lhe são hipóteses, não há nada que eu possa fazer pra de uma vez só te conquistar. Somos diferentes, não só nas crenças e atitudes, mas em nossa essência. E aí é mesmo difícil conciliar.
Tens todo o direito de ser fria a ponto de não acreditar naquilo que se convencionou chamar “amor”. Essa filosofia de só fazer o que quer pode mesmo fazê-la muito feliz. Não serve pra mim. A filosofia. Não serve. Você, pelo visto, tampouco.
Acredito em almas-gêmeas, amor à primeira vista e família Claybom. E seguirei a minha busca, ainda que o caminho seja árduo, pois o acaso e o destino se unirão pra me ajudar. Não há Verão que seja eterno e isso eu bem sei. E também aprendi que, seja qual for a estação, há sempre tempo de ser feliz.
Eu sei que vou encontrar aquele alguém... E aí não vai ser apenas o olhar, o jeito ou o sorriso que vai sinalizar. O primeiro passo é esse mesmo: esquecer você! É isso que eu preciso, que é o certo, que é melhor e que me fará muito bem.