Recebo um torpedo: "Me liga quando chegar em casa". Claro... Eu sempre ligo.
Cheguei e liguei.
- Oi.
- Oi, lindinho.
- Tudo bem? Como foi o dia?
- Quero te ver hoje...
- Tá... Pra onde vamos?
- O de sempre.
- Ok, ok. Estarei lá. Às dez.
Dez da noite, chego à sinuca. Ela havia chegado antes e estava linda como sempre. Pegou nossa mesa predileta e parecia compenetrada em matar as bolas antes que eu chegasse... Ela sempre faz esse "esquenta" antes de jogarmos. Eu chego frio, mas sempre ganho.

Engraçado como ela mexe comigo quando joga. É interessante o ritual: ela traga o cigarro, passa giz no taco, abaixa sensualmente sobre a mesa, se concentra e dá uma tacada. Em geral não mata bola alguma... Seja como for, eu tenho essa coisa com mulheres jogando sinuca. Sabe? Ainda mais com ela. Acho que se ela jogasse bem, eu até me apaixonaria.
Algumas partidas depois, saímos de lá. E nosso roteiro já não é segredo algum: sempre termina na casa dela... Tanto que eu já me sinto em casa lá também. Após a sinuca, a gente passa a noite juntos. Invariavelmente.
Talvez eu nunca entenda como funciona esse negócio e o que é que a gente tem afinal. Mas, acho até bacana isso. Seja um torpedo ou um telefonema... É só ela resolver fazer contato que eu tenho alguém! Mesmo que seja só por uma noite, como costuma mesmo ser.
Curto mais essa "sinuca" durante o inverno, claro. Já reparou como as pessoas sozinhas ficam carentes em maio e junho? É verdade! E aí, quem não sabe lidar com rolos sem compromissos, acaba assumindo namoros que duram muito pouco tempo.
E se é pra ser assim eu ainda prefiro essa vida mesmo... Rolo é uma coisa que supre várias carências, muito embora seja totalmente incapaz de alimentar o coração.